Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Meu Lado Nerd de Ser

Tenho um lado nerd, sempre adorei computador. Quando criança eu tinha um TK 2000, nem sei o que me interessava nele, hoje em dia seria considerado muito sem graça e de pouca utilidade. O que eu mais fazia era jogar. Os jogos vinham em fitas-cassetes, o tocador de fitas era conectado no computador e a imagem aparecia na minha televisão. Lembro do jogo dos palitos (o computador sempre ganhava de mim, acho que só o venci uma vez! É de colocar em currículo alguém vencer do computador!). O engraçado é que eu nunca quis ter um vídeo game, o que me fascinava mesmo era o computador. Não sou muito de jogos. Acho que era a sensação do moderno, de ter um computador em casa é que me agradava. Para quem quer ter uma idéia de como é um TK 2000, veja o site Museu do Computador:

O computador que todas as gerações conhecem nos dias de hoje eu adquiri há cinco anos. Comprei em sociedade com meu pai, embora quem use mais seja eu (mas eu o deixo usar um pouquinho, principalmente quando tem jogo do São Gabriel Futebol Clube, o time da minha cidade natal. Em Porto Alegre – onde moramos - não tem rádio que transmita o jogo, então meu pai escuta através da Internet. Ele é um dos torcedores mais fervorosos do São Gabriel. Grêmio ou Internacional? Que nada, o São Gabriel é o timão do coração do meu pai!). Aliás, foi ele – meu pai – quem me deu o TK 2000, em 1986.

Finalmente com computador em casa, eu consegui entupir a caixa postal dos meus amigos com tantos vídeos e PPS – novidade para mim na época. Ainda gosto de recebê-los e continuo enviando-os também (embora com menos freqüência e de maneira mais equilibrada), gosto dos engraçados, já os melancólicos acho-os muito chatos. Tenho uma amiga que só enviava correntes, quando recebia algum e-mail dela, já sabia: era corrente! E como ela se apavorava com aquelas correntes, se não mandasse para 18 pessoas algo de muito ruim iria acontecer e a vida dela se modificaria para todo o sempre. Na época, se ela tivesse enviado essas correntes para um amigo psicólogo, ele diagnosticaria um provável problema de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), e a encaminharia para tratamento. Para se ter uma idéia do exagero de correntes, meu tio - outro que não agüentava mais receber os e-mails dela - adaptou uma charge do Johnny Castaway, aquele náufrago do programa de protetor de tela para computador: solitário em uma ilha deserta, ao receber uma mensagem em uma garrafa boiando no mar, lê o bilhete e se apavora, a mensagem é uma corrente assinada pela minha amiga. E ai dele se não a enviasse para 18 pessoas! Ninguém merece receber corrente.

Outras novidades vieram com o computador e uma delas foi o MSN, demorei a gostar dele, tenho alguns amigos, mas nem sempre estou a fim de falar. Depois surgiu o Orkut e o Gazzag e lá estava eu. No Gazzag fiz uma amizade virtual que dura até hoje, a Rosana Soto. Ela é daquelas pessoas que fazem com que a gente se sinta em casa, tanto que tem um monte de gente contando os problemas para ela, como se ela fosse uma espécie de psicóloga de revistinhas de horóscopo tipo as do João Bidu, e assim pudesse resolver todos os problemas com uma simples mensagem virtual. Teve uma vez que ela recebeu tantos pedidos de conselhos, que eu disse pra ela tomar um banho de sal grosso, para descarregar um pouco. Hoje em dia não tenho mais Gazzag, mas a amizade ficou. No Orkut fiz outras amizades virtuais e reencontrei vários amigos que não via há muito tempo, desde o 1º Grau (hoje Ensino Fundamental). Veio a nostalgia, uma saudade dos anos 80 ao ver toda aquela gente que eu não falava há tempos! E não era só eu. Na época, recebi até depoimento de uma ex-colega de colégio falando sobre essa nostalgia. Como era bom rever as pessoas e saber que elas estavam bem! Fiquei feliz ao rever algumas pessoas e apavorada ao ver outras: A Fulana ficou assim? Que pena, o Ciclano era tão bonito! O tempo não faz bem para algumas pessoas, não quero nem imaginar o que pensaram quando me viram. Mas a maioria não me reconheceu, eu era tão crespa quanto a Patrícia Pillar, e agora sou lisíssima (e viva a escova progressiva!). A internet é uma vitrine, não dá para aparecer de qualquer jeito. Uma amiga minha fez Orkut há pouco tempo, colocou uma foto tão chinfrim, com cara de coitada, que não agüentei e disse pra ela mudar urgente, vá que alguém a veja e diga: Como a Fulana está acabada, deve estar passando trabalho! Sempre quero o melhor para minhas amigas e, para a felicidade da nação, ela mudou a foto e agora está lá bem faceira, de nariz empinado, com uns óculos a la Fucker and Sucker (ela sabe que chamo os óculos dela assim). Quem vê o Orkut dela, diz: Esta é uma mulher de atitude! E nessa nostalgia de procurar quem eu tinha perdido de vista, cometi muitas gafes. Ao ver o álbum de um conhecido, li no perfil dele que estava morando em Porto Alegre, perguntei se as fotos tinham sido tiradas no Guaíba, pois eu só via mato e rio (não disse isso pra ele, claro – mas as fotos eram bem sem graça. E olha que acho o Guaíba lindo!). Mas não era o Guaíba, era a Patagônia. Em instantes, detonei com a viagem do guri. Tem gente que não sabe tirar fotos, não aproveitam a paisagem. E quem mandou não colocar legendas nas fotos? Outra gafe minha foi quando vi a foto de perfil de um colega, jogando sinuca, e a minha frase: Mazááá, jogando boliche! E assim eu fiz amizades (e talvez inimizades) com minhas gafes insanas. Postava também nas comunidades. A Denise Décio, outra amiga virtual, eu conheci em uma comunidade de gastronomia. Ela enviou uma receita, eu enviei outra e trocamos MSN. Nem preciso dizer que o nosso assunto principal é comida (e dietas, claro). Além da Denise e da Rosana, fiz outras amizades através do Orkut: o Homem de Aço Lindomir Daniel Salvador, o Vitor William Duarte, o Marcus Conrado, a Cássia Brasileiro, o Irapuã e a Amélia - mais conhecida como Mulher de Verdade (ela é expert em Photoshop, seu avatar era a Monalisa, e Amélia fazia sucesso transformando a musa de Da Vinci, colocando-a em situações constrangedoras, como aparecer de biquini ou com rolos no cabelo). Para mim, que não conhecia quase ninguém em Porto Alegre, pois era uma interiorana perdida na Capital, foi uma boa época para espantar a solidão. Hoje eu já me enturmei na cidade, fiz amizades reais, mas ainda mantenho as boas amizades virtuais.

Depois das amizades feitas, vieram as mensagens com desenhinhos. No começo eu adorava, depois enchi o saco, de tanto que recebi. Agora recebo as mensagens gif. Como qualquer novidade, na época eu achei um amor, agora não vejo graça em recebê-las, não sei se enjoei ou estou ficando velha, mas me decepciono quando abro meu Orkut para ler os recados e me deparo com aquelas figurinhas. E algumas ainda vêm com som! Se eu estou com fones de ouvido escutando música já viu a confusão que dá. Na semana passada recebi um convite de amizade de uma guria muito simpática, dizendo: Oi, Dani, eu te encontrei na página da Chérie, adoro enviar scraps, vamos ser amigas virtuais? Confesso que quando recebi aquele convite imaginei meu Orkut sendo torpedeado por aquelas mensagens gif, tinha que tomar alguma providência, mas não queria magoar minha nova amiga. Respondi dizendo que ela era bem-vinda, expliquei que eu não estava acostumada a mandar scraps, que tinha horror daquelas figurinhas e bichinhos, mas se ela me mandasse alguma novidade eu iria adorar receber, pois não dá para manter uma amizade virtual apenas trocando figurinhas. Ela agradeceu, dizendo que nunca tinha recebido uma mensagem tão sincera e era uma pena eu não gostar de receber scraps. Não preciso dizer que ela me excluiu do grupo de amizades. E como tem pessoas só mandam esse tipo de mensagem, pela falta de assunto. Apesar de agora achar o Orkut sem graça, não penso em excluir meu perfil, é um ótimo lugar para saber que fim levou o Ciclano ou a Beltrana. O Orkut de hoje parece uma mistura de caderno de recordações com álbum de figurinhas de antigamente. Não deixa de ser nostálgico.

Como sou uma mulher de fases, agora estou na fase do blog. Então visito os sites de trocas de notícias, como o diHITT, o Escritores de Blogues e o Gafanhoto. Visito mais o diHITT, pois não dou conta de tanta coisa, mas sempre procuro fazer uma visitinha nos outros. No lugar de recados e figurinhas, eu troco notícias, leio sobre o que as outras pessoas pensam e descubro grandes escritores.

Acho que sempre vou ser um pouco nerd. Pelo menos uma hora por dia gosto de me isolar, tenho essa necessidade de ficar sozinha, seja fuçando na internet, estudando ou lendo alguma coisa. E o computador é um isolar-se sem solidão, pois interajo com um monte de gente. Não sou nenhum pouco introvertida, muito pelo contrário. Também tenho vida fora do computador - e ultimamente minha vida está bem movimentada. Acredito que todo mundo quer um momento para si, cada qual com suas preferências. Como um tio meu, escolhi o computador como companheiro nessas horas de conversa comigo mesma. Meu avô escolheu o diário de memórias, minha avó tinha a horta antes de ficar velhinha, minha tia tem as suas crônicas (não sei por que não as publica, é uma pena ficarem escondidas no computador), meu pai escolheu a cozinha, minha mãe tem o artesanato e minha prima coleciona agendas, lugar em que ela anota tudo! E todos amam os livros, outra maneira de isolar-se sem estar só, pois estamos acompanhados pelas personagens. Deve ser mal (ou bem) de família esse gostar de ficar sozinho. Tenho muita gente a quem puxar. E é bom. Experimente ficar a sós contigo mesmo, mas sem exageros, e verás que ficar um tempo sozinho não é um bicho de sete cabeças. Descobrirás, também, que tu podes ser uma ótima companhia.
PS: E não é que agorinha (29-08-2008, às 16h40) fiz o teste (dica da minha amiga Rosana, a Chérie) e olha o resultado que deu:

Como dizia a personagem daquela novela: É brinquedo, não!

6 comentários:

Rodrigo Piva disse...

Todos temos um lado Nerd de ser! hehe
Muito bom seu texto!
Abraços

Osc@r Luiz disse...

Hahahaha!
Adorei seu post!
Eu vim de Porto Alegre pra Cuiabá em 1983 e tinha um amigo "burguês" que tinha um TK-80, ainda mais primitivo que o seu.
Ele o usava também com fitas-cassete e programas em "Basic" e "Cobol" para armazenar notícias do Jornal Nacional para "Conhecimentos Gerais" de quando ele fosse um dia, quem sabe, alguns anos mais tarde, fazer um vestibular. Pode?
Que jogar em TK, que nada! Eu queria e nunca tive era um Atari!!!
Hoje tenho meu PS2 e não entulho meu PC com jogos.
Comprei meu primeiro PC-XT de segunda mão, financiado pelo Banco do Brasil. Era daqueles de monitor de fósforo verde, sabe?
Heheh! Como disse o Rodrigo, todos temos nosso lado nerd.
Só pra não deixar passar em branco, sou gremista.
Adorei o seu comentário, palavras de incentivo e carinho, mas sobretudo adorei saber que você se importa...
Fui linkar o seu blog e quando faço isso, tomo todo o cuidado para não errar nos nomes. Nem do blog e nem das pessoas (mesmo assim ainda acontece, vez por outra). Foi então que li com atenção seu nome. Tive uma colega de mestrado que se chamava Daniela Maimoni Figueiredo.
Obrigado por ter me linkado também. Mas meu selinho ficou destoante dos demais. Se quiser ajuda para corrigir isso, me avise que eu te dou com prazer as coordenadas pra colocar ou o meu alinhado com os demais ou todos ao centro.
Um beijo, minha amiga e seja sempre bem vinda.

Daniela Figueiredo disse...

Obrigada, Rodrigo! Que bom que tu apareceste para me visitar. Oscar, consegui arrumar teu link, com o tempo eu aprendo como isso funciona. Fui nas configurações e analisei o que o teu tinha de diferente, então descobri! Quanto ao computador, em 1982, meu pai teve um CP 200, mas só ele usava. E que loucura do teu amigo gravar o Jornal Nacional, hahaha. Tu és gaúcho? Eu também sou gremista, mas nunca acompanho os jogos. Gosto da festa!
Nunca uso o sobrenome Figueiredo, uso mais o Machado. Figueiredo é do meu avô, que é escritor e historiador. Para escrever no blog, resovi usar este meu sobrenome, em homenagem a ele. Sou Daniela Figueiredo de Souza Machado! Êta nomezinho grande, a vantagem é que posso escolher a vontade qual usar! E obrigada pela visita :). Beijos para vocês.

patricia disse...

Dani, adorei! Eu lembro que ganhei um TK 90 do pai e depois fui fazer cursinho de Basic e Cobol (e tudo o que o professor falava, entrava por um ouvido e saía por outro, eu não entendia nada!) Muuuuuuito bom!!!! Me divirto muito lendo o que tu escreve. Em algumas, é a história da nossa família! Bjs com saudade.

Daniela Figueiredo disse...

É mesmo, tu teve um TK 90, eu tinha esquecido! Família moderna a nossa, né? hahaha. Beijos, matamos a saudade na semana que vem.

Marilene disse...

Oi amada!!!!!
Senti-me honrada em estar incluída em um de teus textos maraavilhooosoos.Teve um pouco de saudossimo com atualidade.Sempre ótimos,interessantes e com toque pessoal.Um abraço da tiona LENA